Setor de apostas do Brasil se prepara para diálogo após vitória de Lula
Resumo
O Brasil reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva, e o setor de apostas do país se prepara para retomar o diálogo sobre a Medida Provisória 1.394, que proibiu as apostas e paralisou o mercado licenciado menos de dois anos após sua criação. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) reconheceu a vitória de Lula e manifestou disposição para retomar as conversas, na esperança de uma discussão democrática e transparente que possa revitalizar o mercado, concentrando os esforços de fiscalização nos operadores ilegais. A medida gerou críticas de representantes do setor e de órgãos governamentais, que argumentaram que ela priva o Brasil de receita tributária significativa — a Receita Federal havia arrecadado BRL 11,1 bilhões (US$ 2,05 bilhões) este ano, com projeção de BRL 15 bilhões (US$ 2,8 bilhões) para 2026 — e prejudicou a confiança dos investidores e a segurança jurídica, segundo o diretor da Kambi, Mateo Lenoble. Críticos também alertaram que a proibição criou oportunidades para o mercado ilegal, onde operadores não licenciados não oferecem proteção ao jogador, podem ser acessíveis a menores, não geram receita tributária e não garantem o saque dos ganhos. Após a eleição, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), agendou uma audiência pública para 3 de novembro para discutir ações relativas às apostas, solicitada pela Advocacia-Geral da União (AGU), pelas partes da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 8.027 e por entidades admitidas como amici curiae. Fux havia se abstido de agir durante o período eleitoral para evitar percepção de interferência, mas considerou a audiência urgente diante dos prazos da medida e de suas implicações econômicas. Enquanto isso, Buenos Aires, na vizinha Argentina, também estaria considerando uma proibição semelhante aos jogos e apostas online.
(Fonte:Gamblingnews)